sábado, 2 de agosto de 2008

1º Debate Eleitoral 2008 - na Band - Primeiro Bloco na íntegra

As informações a seguir relatadas são sobre o 1º Debate Eleitoral na Televisão dos Candidatos à Prefeitura de São Paulo. Esse também é o primeiro debate da TV Bandeirantes para as eleições 2008.

As passagens em AZUL são comentários do dono do Blog, e não fazem parte do que os candidatos disseram ou da transmissão da emissora.

Os vídeos incluídos foram apenas recortados, em nenhum momento editados ou manipulados, sendo exatamente o que foi falado e transmitido. Os vídeos são pesados, observe se sua conexão permite a visualização dos mesmos.


Por volta de 21h30, a TV Bandeirantes (Band) iniciou as transmissões para o debate. Começou apresentando um resumo da chegada dos candidatos e a expectativa dos mesmos.

O candidato pelo PSOL, Ivan Valente, foi o primeiro a chegar à sede da TV Bandeirantes, às 20h20. Em seguida, chegou o candidato pelo PMN, Renato Reichmann. Logo depois, o candidato pelo PTC, Ciro Moura. A candidata pelo PT, Marta Suplicy, foi a quarta à chegar. Soninha Francine, candidata pelo PPS, foi à quinta. Em seguida, o candidato pelo PP, Paulo Maluf. O penúltimo a chegar foi o candidato pelo DEM, Gilberto Kassab. O candidato pelo PSDB, Geraldo Alckmim, foi o último a chegar à sede da TV Bandeirantes, por volta das 21h15.

Cento e quarenta jornalistas credenciados acompanharam o debate, e tiveram a sua disposição uma sala de imprensa com acesso à comunicação, como telefone e internet. Cada candidato tinha uma sala vip a sua disposição, onde ficaram por alguns minutos antes do debate começar. Assessores e convidados dos candidatos também estavam presentes. Na platéia ficaram cerca de 180 pessoas.

Quinze câmeras foram posicionadas - no pátio da emissora e no interior do estúdio - para registrar toda a movimentação ao vivo. Uma das câmeras estava instalada num helicóptero para mostrar do alto a chegada dos candidatos. Sete equipes de reportagem da própria emissora também cobriram o evento.

Simultaneamente, a Band realizou debates em cinco capitais: Curitiba, Belo Horizonte, Salvador, Porto Alegre e Manaus. Candidatos de São José dos Campos debateram, na Band Vale, candidatos de Araras debateram na Band Campinas, candidatos de Chapecó estiveram na TV Barriga Verde (Santa Catarina), candidatos de Niterói debateram na Band Rio. As emissoras de Barra Mansa e Maringá também fizeram debates com os candidatos locais.

O debate foi dividido em 5 blocos. No primeiro bloco, os 8 candidatos responderam a uma pergunta elaborada pela Band. No segundo e no terceiro bloco, os candidatos fizeram perguntas entre si. No quarto bloco, os jornalistas da Band, Fernando Vieira de Melo e José Paulo de Andrade, fizeram perguntas para os candidatos. O quinto bloco foi reservado para considerações finais.


Por volta de 21h45, entrou no ar a introdução ao debate.

Apresentando imagens e momentos de outros debates exibidos pela emissora, demonstrando a consolidação da democracia e a tradição da Band.

Assista, vídeo à esquerda.



Às 21h48 começou o debate. O jornalista Boris Casoy foi o mediador.

O mediador informou que o debate, além da Band, estava sendo transmitido também pela Bandnews (canal por assinatura), as rádios Rádio Bandeirantes (AM 840 / FM 90,9) e Bandnews FM (96,9), e pela internet no site da Band.

Em seguida, o mediador apresentou cada um dos candidatos. Pela ordem, previamente definida por sorteio, Gilberto Kassab, Paulo Maluf, Marta Suplicy, Renato Reichmann, Ciro Moura, Geraldo Alckmim, Ivan Valente e Soninha Francine.


PRIMEIRO BLOCO


Uma pergunta elaborada pela Band foi apresentada pelo mediador. Todos os candidatos tiveram 1m30s para responder.

A pergunta: "Há mais de 30 dias não chove na cidade de São Paulo. A população paulistana tem sentido as agruras do ar extremamente seco e da quase impossibilidade da dispersão dos poluentes. Como a sua administração vai enfrentar à questão da poluição na cidade?"


O primeiro a responder foi o candidato Gilberto Kassab: "Esse tema é um tema relevante para a cidade de São Paulo. Uma cidade de 11 milhões de habitantes, uma das cidades mais poluídas do mundo, e na minha administração, administração que num primeiro momento como vice e depois como prefeito - eu tive a oportunidade de assumir -, nós combatemos de uma maneira muito firme à poluição. A poluição visual - programa Cidade Limpa -, e a poluição do ar com diversos programas. A implantação da inspeção veicular, um programa tão sonhado na cidade de São Paulo, a duplicação do número de parques - São Paulo tinha 31 parques, deixaremos no final do ano com 61 parques e mais 40 parques em projetos -, quase 600 mil árvores plantadas, enfim, muita coisa fizermos, mas muita coisa muita coisa precisa ser feita na cidade de São Paulo, para que nos possamos melhorar a qualidade do ar. Hoje, por conta da poluição do ar, as pessoas vivem um ano e meio a menos de vida. E a nossa administração fez nesses quatro anos, especificamente eu como prefeito nos últimos dois anos e quatro meses, o que não foi feito na cidade nos últimos 30 anos."

O programa Cidade Limpa realmente tem surtido efeito, mas falta muito.

O segundo a responder foi o candidato Paulo Maluf: "É bom relembrar, que na minha administração de prefeito, eu criei a secretaria do verde e do meio ambiente, exatamente para tratar desses assuntos. Plantamos um milhão de árvores na cidade de São Paulo, fizemos parques. Entretanto, eu quero relembrar que no meu tempo de prefeito, a velocidade média do transporte coletivo era 20 Km/h, e hoje é 11 Km/h. Ou seja, ônibus que não está trafegando, ônibus que está em ponto morto, automóvel que está em ponto morto, mas está com o carro ligado, é evidente que isso está poluindo a cidade de São Paulo. Então nos precisamos melhorar o transporte coletivo, a velocidade do transporte coletivo e a velocidade dos automóveis. Por isso vou construir na cidade de São Paulo a obra da minha vida, que é o "Freeway". Que é uma laje em cima do rio Tietê e do rio Pinheiros, para dar mais seis faixas de tráfego de cada lado. Com seis fachas de tráfego de cada lado, nos vamos ter uma velocidade média na marginal de 90 Km/h. Portanto sem poluição e sem pedágio. Além do mais quero dizer, que as obras que fiz como prefeito, onde tive somente R$ 24 bilhões de orçamento, foram mais que o dobro dos prefeitos que me sucederam, que tiveram R$ 160 bilhões de orçamento."

Na época em que o Maluf foi prefeito não tinha essa quantidade de carro nas ruas, então se deve ter cuidado com essas comparações. A idéia do "Freeway" tem um fundamento lógico, mas não acredito que seja momento para tal, mesmo porque não há garantias legais de que não haverá mesmo pedágio. Já relativo a orçamento, a cidade de São Paulo agradece por ele ter tido "só" 24 bilhões, sendo que quase metade disso "evaporou".

A terceira a responder foi à candidata Marta Suplicy: "É muito importante essa questão, porque isso afeta principalmente as crianças e os idosos, na nossa cidade. Agora, são várias às ações. Nos temos que ter ações em relação ao transporte, e isso pode ter um efeito muito bom, principalmente se conseguirmos voltar os ônibus que se trafeguem rápido e sejam confortáveis, e as pessoas possam a partir disso optar pelo ônibus e deixar o carro em casa, isso é possível. Mas também, nós temos que fazer a coleta seletiva nessa cidade, que acaba também poluindo muito. Na nossa gestão nós iniciamos, foi interrompido na atual gestão. Nós também temos que plantar nessa cidade, nós vivemos o maior plantio nessa cidade - quatro vezes mais do que a atual gestão -, que diz que fez também cem parques, mas do papel mesmo saíram 10. E nos temos também que... uma coisa bonita pra falar... que foi a primeira usina, que foi feita no Brasil na nossa gestão, que foi que transformou o lixo em gás. Isso foi uma coisa muito avançada, foi parado também na cidade de São Paulo, nós fechamos o incinerador Vergueiro. Então são ações em várias áreas, que nós temos que correr atrás. Continuar a inspeção veicular. E sabemos também que tudo isso é junto, é uma articulação. Também a central de reciclagem, aqui na cidade de São Paulo parou de acontecer, não foi implementado os dezessete novos centros. Isso também afeta, porque o lixo polui a cidade e dá tudo isso de ruim."

A questão afeta toda as pessoas da cidade por igual. Realmente houve um avanço muito grande na área de transportes, na gestão dela, e isso é incontestável. A coleta seletiva, reciclagem e usinas são imprescindíveis, contanto que não seja criada mais nenhuma taxa ou ônus para os moradores, e isso ela não mostrou tanta visão.

O quarto a responder foi o candidato Renato Reichmann: "Na ação do gestor público, toda ação tem que ter três vetores. Um é a razão: Está obvio, poluição é um problema de saúde pública. Afeta todo mundo. Reduz a qualidade de vida. Reduz o tempo de vida. Aumenta os gastos públicos em todos os sentidos. Seja no hospital, seja pela perda de tempo de trabalho, de capacidade de trabalho. O segundo é competência: Se tá na alçada daquele governante. Está! Legislação de poluição parte dela é competência municipal. Tanto na poluição gerada por meios fixos, que são - hoje já tem muito pouco - que é a industria, que são equipamentos que geram poluição, como a parte veicular. E o terceiro é a origem do recurso: Como que vai ser pago? Porque fazer plano é muito bom, mas precisa pagar por ele de alguma maneira. Essa maneira qual é? No momento que tem menos poluição, menos doença, consome menos recurso, as pessoas têm mais produtividade, geram mais impostos, tem menos perdas. O recurso vem da própria economia que gera. Exemplo, tiraram o ônibus elétrico, por quê? Nós temos energia elétrica abundante, e essa é uma energia nossa, renovável. Tiraram, não entendo o porquê. E não polui!"

Achei muito ar de ensinamento e pouco ar prático. Eu, como ele, também queria saber o porque tiraram/reduziram os ônibus elétricos.

O quinto a responder foi o candidato Ciro Moura: "Sem dúvida que a poluição do nosso ar me preocupa muito. Mas a nossa coligação não tem o nome "Tostão contra o milhão" à toa. É que nós estamos ai acostumados a idéias megalomaníacas, e nós queremos ter idéias do básico. Preocupa sim, mas preocupa muito mais a poluição da falta de saneamento básico, com as pessoas da periferia vivendo à margem de córregos imundos, rios imundos, e isso sim é problema de saúde gravíssima. Temos aqui representado mais de 25 anos de poder nessa cidade e chegamos aonde chegamos. Preocupa sim, a poluição humana das famílias morando embaixo das pontes, sem teto, isso sim preocupa e preocupa muito. E eu repito, tanto tempo de poder e nós vivemos cada vez mais um dia pior. Além da poluição do saneamento básico, das pessoas morando na rua, ai sim depois disso feito, que pra mim é o básico - o arroz com feijão -, dê a você necessitado de arroz com feijão, o básico e pode ter certeza que o paulistano fará o resto."

Tem toda a razão o Ciro. Existem muitas outras prioridades na cidade de São Paulo, e no país. Talvez boa parte da solução do problema da poluição, seja justamente as pessoas conviverem bastante com ela, sendo assim se conscientizarão.

O sexto a responder foi o candidato Geraldo Alckmim: "Já é a quarta causa de morte em São Paulo as doenças do aparelho respiratório. E elas são provocadas por monóxido de carbono, combustível fóssil. Ou seja, poluição de veículos. Eu tomei uma medida prática, eu reduzi o ICMS do álcool de 25 pra 12 por cento. Era 25% de ICMS para a gasolina e 25% para o álcool, reduzi para 12. Hoje o carro “flex” é carro a álcool em São Paulo, porque ele é muito mais barato e nós estamos poluindo menos. Como prefeito de São Paulo, vou trabalhar para reduzir ainda mais essa poluição, exigindo da Petrobras menos particulado no diesel. Como governador, investimos no metrô, no trem até Grajaú, na linha 4 do metrô, na linha 2 do metrô, e vamos ajudar na linha 5, vamos ajudar na linha 6. Investir no transporte coletivo. Investir no verde na nossa cidade, principalmente nas regiões onde esse verde é menor. Mas principalmente, diminuir a poluição por monóxido de carbono. É álcool nos veículos, diesel de qualidade, corredores de ônibus mais rápido, transporte coletivo, ciclovia, metrô e trem."

Esse, na minha opinião, foi o que menos fez. Fez menos até do que aqueles que nem fizeram, porque esses outros nem chegaram ao poder para poder fazer. Fez muito pouco ao cortar o imposto do álcool, poderia ter destinado parte do imposto da gasolina para outras atitudes práticas ou quem sabe ter aumentado o preço da gasolina. O carro "flex" não é de hoje, e o carro "flex" não é a álcool em São Paulo e sim no país inteiro. Confesso que não é preciso ter "poder" para pedir a Petrobras que melhore o diesel, mas há de se concordar que sendo prefeito é muito mais fácil e sendo governador ainda muito mais. Portanto não vejo nexo em se tornar prefeito para exigir alguma coisa da Petrobras. Investiu uma unha no metrô, e o que investiu foi aquele pouco para matar pessoas na cratera de Pinheiros. Quem faz metrô é governador e não prefeito, portando seria o mínimo se disponibilizar (como prefeito) a ajudar. Investiu muito pouco no transporte coletivo de uma maneira geral, e sequer me lembro de ouvi-lo falar em ciclovia. Portanto, perdeu uma ótima oportunidade de ficar calado. Abriu a boca, e caiu ainda mais no meu conceito.

O sétimo a responder foi o candidato Ivan Valente: "Quem disser que vai resolver o problema do trânsito de São Paulo em poucos anos, está mentindo para a população! E é do fluxo dos automóveis que sai a maioria da poluição atmosférica de São Paulo, 70% é do fluxo de automóveis. É a sociedade do automóvel que nós vivemos. De modo que nós temos que inverter a matriz, isso significa atacar interesses poderosos da indústria automobilística, que no Brasil inclusive é subsidiada em três bilhões de reais, quando aumentou em 30% à venda de veículos esse ano. Então, nós queremos é transporte público sobre trilhos, de massa. Transporte alternativo. E dizer que esse modelo precisa ser mudado, temos que inverter essa matriz. Quem não fizer isso vai ter que dizer de onde sai o dinheiro."

Simples e coerente. Porém, tão coerente e correto, que ao declarar isso nunca vai conseguir se eleger. Evidentemente por contrariar esses "poderosos" interesses. É uma pena esse Sr. não ter poder para viabilizar esse ponto. Parabéns pela coragem.

A oitava a responder foi à candidata Soninha Francine: "Boris [Casoy] como você bem observou, a qualidade do ar é resultado da poluição e da falta de chuva, que tem haver também com as mudanças climáticas, com o aquecimento global. Então a gente precisa em primeiro lugar reduzir a emissão de poluentes e gazes de efeito estufa. E como bem começou a dizer o Ivan [Valente], algumas coisas estão bem fora do controle da administração municipal. Com esse crédito doido para comprar automóvel em 90 prestações, fica difícil disciplinar o trânsito. Mas a gente tem que organizar melhor o trânsito, investir em transporte coletivo, não tem como discordar dessas coisas. Investir em meios de locomoção não motorizados, o [Geraldo] Alckmim chegou a citar as ciclovias, e na verdade todo um sistema cicloviário sai muito barato pra fazer, tem conhecimento, tem tecnologia pra isso, e é bem mais fácil de implantar do que qualquer obra viária para os automóveis. A gente tem que continuar com a inspeção veicular, como disse o [Gilberto] Kassab. E melhorar a qualidade dos combustíveis, substituir a matriz quando for possível. E sem dúvida melhorar a qualidade do diesel, que é muito ruim no Brasil se comparada com que o já se usa, e tem tecnologia para um diesel melhor. E ai é uma responsabilidade compartilhada entre a Petrobras, as montadoras e a ANP [Agência Nacional do Petróleo], que empurram uma para a outra, o fato de não ter se cumprido ainda um prazo para melhorar a qualidade do diesel. E como a Marta [Suplicy] lembrou, a decomposição de matéria orgânica emite gazes de efeito estufa. E além de diminuir as emissões, a gente tem que capturar o que é emitido, e pra isso que servem as usinas. Têm duas já em funcionamento e precisamos ter muitas mais. E asfaltar o rio vai aumentar a temperatura e piorar as condições, [Paulo] Maluf."

Soninha fechou sintetizando as poucas propostas apresentadas. Confio muito no potencial e honestidade da Soninha. Acredito que ela tenha que aprender muito, mas acredito que seria uma boa prefeita.

Considerações: Achei que o bloco foi muito pobre de idéias e propostas dos candidatos.

Encerrado o primeiro bloco, às 22h06. Houve um intervalo comercial de cerca de 5 minutos.


CONTINUE... Segundo bloco do debate na íntegra



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