sábado, 2 de agosto de 2008

1º Debate Eleitoral 2008 - na Band - Segundo Bloco na íntegra

As informações a seguir relatadas são sobre o 1º Debate Eleitoral na Televisão dos Candidatos à Prefeitura de São Paulo. Esse também é o primeiro debate da TV Bandeirantes para as eleições 2008.

Os vídeos incluídos foram apenas recortados, em nenhum momento editados ou manipulados, sendo exatamente o que foi falado e transmitido. Os vídeos são pesados, observe se sua conexão permite a visualização dos mesmos.



SEGUNDO BLOCO

Às 22h12 começou o segundo bloco. Nesse bloco os candidatos fazem perguntas entre si. Invertendo a ordem do bloco anterior, um candidato escolhe qual candidato responde sua pergunta, e tem 30 segundos para fazer a pergunta. O candidato escolhido tem 1m30s para responder. O candidato que perguntou tem 1 minuto para réplica e o outro candidato mais 1 minuto para tréplica. Um candidato não poderá responder a duas perguntas.

Portanto, pela ordem desse bloco: Soninha Francine, Ivan Valente, Geraldo Alckmim, Ciro Moura, Renato Reichmann, Marta Suplicy, Paulo Maluf  e Gilberto Kassab.

A primeira a perguntar é à candidata Soninha Francine e sua escolhida para responder é à candidata Marta Suplicy: "Marta [Suplicy]! Você se orgulha com razão de vários avanços no transporte coletivo, na sua gestão. A implantação do Bilhete Único, de alguns corredores novos, reforma de corredores antigos - como o da 9 de Julho, que era horroroso -, a substituição das peruas clandestinas por microônibus. Mas algumas decisões do seu governo destoaram dessa linha geral, os túneis da Rebuças - que não produziram o efeito desejado no trânsito, e tiveram problemas graves logo depois da inauguração -, a ponte estaiada que não permite o acesso a pedestre e ciclistas, e o fura-fila que parou. Você se arrepende disso e faria diferente agora?"

Marta Suplicy responde: "Não Soninha [Francine], não faria nada. Mas primeiro eu vou começar elogiando à tua iniciativa de vim de bicicleta. Eu gostei! Porque foi uma coerência - e o tema que foi poluição -, e você fez muito bem. Agora, eu acredito que eu não me arrependo porque foi tudo muito bem feito. A ponte estaiada: ela tá ai, é um cartão-postal da cidade de São Paulo, e na hora que conseguirmos chegar à Imigrantes - eu acho que na próxima gestão nós poderemos -, ela vai ter um papel extraordinário. Os túneis: a população pobre que anda de ônibus e que vem da Zona Sul, se beneficia enormemente com os túneis. E na hora que tivermos o metrô ali no Largo da Batata, também vai ajudar muito. Nós pensamos em colocar o dinheiro ali no metrô, mas não foi possível - no momento a cidade estava falida e não tinha um projeto pronto ali para o Largo da Batata para ser colocado. Eu acho que a gente fez um trabalho muito bom na área do transporte, como você mesmo mencionou. Sai daquelas vans clandestinas na cidade, tiramos 7 mil [vans] da cidade. Colocamos mais de 9 mil ônibus novos e chegamos no Bilhete Único. E, portanto, eu acredito que nós temos muito a fazer: mais corredores - 200 quilômetros de corredores na cidade -, as ciclovias que você [Soninha Francine] fala e eu concordo que agora nós temos condições de se preocupar com a ciclovia - que naquele momento onde se tinha que cuida de todo o transporte de superfície, naquela zorra que tava o transporte, era absolutamente impossível -, e pôr muito dinheiro no metrô - porque hoje a cidade tem [um orçamento maior]."

Réplica da Soninha Francine: "É, essas obras - como as passagens subterrâneas, como a ponte estaiada -, elas claro que produzem um efeito na fluidez do tráfego em determinadas condições, mas é um efeito que logo se esgota se o modelo continuar baseado no automóvel principalmente, e o custo dessas obras é muito elevado em relação ao beneficio que elas são realmente capazes de produzir. Com o custo da ponte, com o custo dos túneis, seria possível investir muito em transporte coletivo propriamente. E no Paulistão - que era o antigo Fura-Fila, depois foi batizado de Paulistão e agora será Expresso Tiradentes -, é um grande corredor, era um projeto muito bom que foi aperfeiçoado com o tempo, e que não chegou a ser concluído. Ficou durante muitos meses parada a obra do Fura-Fila. Então eu acho que a famosa relação custo-benefício não se provou a melhor possível, quanto custaram essas obras, a quem elas [as obras] não atendem e o efeito que elas tiveram a médio e longo prazo."

Tréplica da Marta Suplicy: "Eu acho Soninha [Fancine] que nós fizemos as decisões certas, é muito difícil quando você é prefeita escolher o que é prioritário. E eu sempre priorizei o que fosse de massa, que à prefeitura tivesse condição de fazer. Pra chegar no Bilhete Único foi uma luta, e vocês que estão assistindo acompanharam o que foi isso. Então o recurso, por exemplo, no Fura-Fila nós colocamos mais de 200, 300 milhões e quando paramos foi para colocar nos corredores, porque não estava dando conta o dinheiro que à prefeitura tinha pra fazer os corredores. E os corredores beneficiaram enormemente à população. Nós fizemos muitos corredores, por exemplo, Vila Nova Cachoeirinha você fazia por hora 23 quilômetros, agora diminuiu o ritmo. Mas você fazia isso com um ritmo muito bom em todos os corredores. Então eu acho que nós temos que construir mais 200 quilômetros de corredores. Mas melhor que tudo, quando Ministra do Turismo, levei ao Presidente Lula um plano até 2014, pra Copa do Mundo, e o Presidente aceitou mais 200 quilômetros de corredores para São Paulo, 65 quilômetros de metrô pra São Paulo, 15 bilhões."

O segundo a perguntar é o candidato Ivan Valente e seu escolhido para responder é o candidato Geraldo Alckmim: "Ô [Geraldo]Alckmim! Você declarou ao TRE [Tribunal Regional Eleitoral] um teto de campanha de R$ 25 milhões. É muito dinheiro, o povo estranha isso! Queria perguntar quem é que vai financiar a sua campanha?"

Geraldo Alckmim responde: "Olha, o teto de R$ 25 milhões é para o primeiro turno, para o segundo turno, é teto. Eu, aliás, vou fazer uma campanha despojada, campanha extremamente modesta, não temos nada absolutamente, a não ser a nossa militância - aliás, muito aguerrida. O financiamento de campanha no Brasil, eu defendo o financiamento público. Aliás, defendo a reforma política, com partidos políticos, com fidelidade e com o financiamento público. Isso não existe! O financiamento ele é privado, ele é feito através - conforme a lei estabelece - das pessoas físicas e as pessoas jurídicas. Com absoluta transparência, aliás, como foram todas as minhas campanhas desses últimos 30 anos. Desde quando fui candidato a vereador e prefeito da minha cidade natal, vice-governador - do querido e saudoso Mário Covas -, governador do Estado duas vezes. E só sou favorável ao financiamento público, mas ele [o financiamento] não existe enquanto não vier a reforma política. Portanto, faremos de acordo com a lei."

Réplica do Ivan Valente: "Olha [Geraldo] Alckmim, você não respondeu à minha pergunta. Eu fiz uma pergunta muito direta. Quem vai financiar? Eu acho que transparência é obrigação de todo político. E segundo lugar, eu acho que essa questão do legal, - é assim, a escravidão era legal no Brasil também -, precisa ver o que é legal e o que é legitimo. O problema é que o financiamento privado é o principal responsável pela corrupção no Brasil. Ele coloca argola no pescoço dos políticos, dos governantes, dos parlamentares, é o poder econômico. Eu dou o exemplo da cratera do metrô de São Paulo. Caiu, matou sete pessoas, dezenas de desabrigados, quando se quis abrir CPI [Comissão Parlamentar de Inquérito] na Assembléia Legislativa de São Paulo ou a Comissão Externa na Câmara [dos Deputados], a liderança do seu partido impediu a investigação lá. O PSOL [Partido Socialismo e Liberdade] defende financiamento público exclusivo para combater definitivamente à corrupção. E isso deveria ser um pacto de todos os candidatos, com teto de campanha."

Tréplica do Geraldo Alckmim: "Bom, primeiro eu acho que relacionar financiamento público de campanha com acidente em obra, é de uma maldade e, aliás, de muito mau gosto. Uma tragédia que abalou São Paulo, aliás, eu já estava fora do governo fazia quase um ano. Questão de obra, que pode acontecer em todas as obras, está sendo rigorosamente apurada. Apurada por perícia, apurada com engenharia, o próprio Governo do Estado de São Paulo contratou o IPT [Instituto de Pesquisas Tecnológicas]. Em relação ao financiamento público de campanha, nós faremos de forma modesta, aliás, eu depois de trinta anos de vida pública, tenho uma vida absolutamente franciscana, aliás, aprendi com meu pai que me mandou uma carta quando me elegi prefeito aos 24 anos de idade, "Se você for fazer política é com coragem moral, com dedicação, que isso é coisa séria, e vida pessoal modesta", e eu sigo esses preceitos do meu pai até hoje."

O terceiro a perguntar é o candidato Geraldo Alckmim e seu escolhido para responder é o candidato Gilberto Kassab: "Um dos problemas que nós temos na cidade é o problema da iluminação pública. Ou seja, a cidade de São Paulo está escura. Nós temos quase metade do nosso parque de iluminação, ainda com aquelas lâmpadas antigas, aquelas luminárias de mercúrio, que consomem muita energia, gastam muito, e de outro lado iluminam pouco. Qual a sua proposta para a questão da iluminação pública?"

Gilberto Kassab responde: "Mais que proposta [Geraldo] Alckmim, nós estamos fazendo muito em relação à iluminação pública na cidade de São Paulo. Nós tivemos a oportunidade, ao longo da nossa gestão, de ligarmos 30 mil novos pontos de luz e transformarmos 130 mil lâmpadas de mercúrio em lâmpadas de vapor de sódio. Há mais de 20 anos, todos colocavam como sua proposta transformar mercúrio em vapor de sódio e aumentar o parque de iluminação. Pra que você tenha uma idéia [Geraldo] Alckmim, nós aumentamos o nosso parque e transformamos em vapor de sódio [o mesmo que] uma cidade de Paris. Em relação ainda à iluminação pública, o que atrapalha muito São Paulo é que ainda no seu governo - como governador -, quando da privatização das empresas, não foi colocado como determinante, como obrigação delas, que elas apontassem os pontos que não estavam com iluminação pública, nas trocas de iluminações públicas. Portanto, no momento que a lâmpada está queimada, hoje a concessionária não tem a obrigação de apontar qual o ponto que não está com lâmpada queimada. Vamos corrigir isso numa próxima licitação. Mas São Paulo hoje tem a oportunidade, na minha gestão, de avançar bastante na iluminação pública: 130 mil lâmpadas transformadas em vapor de sódio e 30 mil novos pontos de luz. E evidentemente nesse ritmo, no meu próximo mandato, nós vamos concluir essa operação e São Paulo será 100% iluminada, e será 100% de iluminação de vapor de sódio."

Réplica do Geraldo Alckmim: "Um dos problemas graves que à população enfrenta é a segurança. E pra melhorar a segurança pública, uma cidade bem iluminada - féricamente iluminada -, além de ficar mais alegre, levantar à auto-estima, fazer as pessoas saírem mais de casa, ela vai melhorar a segurança. Nós vamos rapidamente: primeiro ampliar o parque elétrico da cidade - que ainda tem muitas áreas sem luz; segundo substituir tudo por vapor de sódio - a lâmpada amarela, que ilumina 40% a mais e consome 25% a menos de energia. A cidade de São José dos Campos, por exemplo, o governo do PSDB [Partido da Social Democracia Brasileira], há três anos atrás já é 100% de vapor de sódio. Aliás, nós já vamos entrar na terceira geração que é a indução magnética. Hoje a maioria das mega-cidades do mundo já está fazendo com indução magnética. Nós vamos trazer segurança para a nossa população e a prefeitura pode ajudar muito na segurança. E uma das maneiras de ajudar o Estado, na questão da polícia e da segurança, é a iluminação pública."

Tréplica do Gilberto Kassab: "Eu fico muito contente de ouvir o [Geraldo] Alckmim, porque mostra que estamos no rumo certo quanto à iluminação pública. Ampliar o parque de iluminação, há quantos anos não tínhamos novos pontos de luz sendo ligados, transformar mercúrio em vapor de sódio, enfim, trazer mais segurança em São Paulo, trazer mais iluminação e concluir esse trabalho que foi iniciado na nossa gestão. Portanto estamos no rumo certo, e esperamos em ações como essa - em parceria com o Governo Federal, que em breve irá assinar o Reluz [Programa Nacional de Iluminação Pública Eficiente] conosco -, dinamizar a implantação dessas mudanças e com isso trazer mais segurança, trazer mais iluminação. Porém, avançamos muito, avançamos mais do que nos últimos 30 anos juntos, nas últimas oito administrações."

O quarto a perguntar é o candidato Ciro Moura e seu escolhido para responder é o candidato Paulo Maluf: "Dr. Paulo [Maluf], o índice de natalidade do nosso país cai. O que significa que a nossa população tende a diminuir, mais a envelhecer. No seu programa de governo, que projeto Sr. tem para a cidade de São Paulo? Porque hoje vive um outro problema, com a política econômica existente, ele [o idoso] está tendo que receber de volta os seus filhos para morar com ele, e ele vive muito mal."

Paulo Maluf responde: "Na minha administração, eu tive uma coragem: que nos hospitais públicos se fizessem gratuitamente as laqueaduras. Portanto, realmente o índice de natalidade está diminuindo, aqui na cidade de São Paulo e também da Grande São Paulo. Mas em compensação e graças a deus, a população está enriquecendo, está com mais poder de compra, está comprando mais gêneros alimentícios, comprando mais automóvel, mais geladeira, e você tem que dar qualidade de vida a aqueles que você inclusive citou que envelheceram. Fui prefeito durante 4 anos, entre 1993 e 1996, tive R$ 6 bilhões de orçamento por ano, vezes quarto, R$ 24 bilhões. De lá pra cá, os prefeitos que me sucederam tiveram R$ 160 bilhões. E eu fiz para a melhoria do trânsito, da qualidade de vida: 8 túneis, 20 mil Cingapuras, fiz avenidas como Faria Lima, como Jacú Pêssego, como Água Espraiada, fiz o Leve-Leite, fiz o PAS - o plano de saúde que vai funcionar na cidade de São Paulo, de novo para os velhos. Portanto, na minha administração - que eu espero ser eleito - a população hoje, através desse debate, vai julgar exatamente quem está com melhores condições para ser prefeito, Ciro [Moura]. Se é um anestesista [referindo-se ao Geraldo Alckmim], se é uma psicóloga [referindo-se a Marta Suplicy] ou se é um engenheiro [referindo-se a ele mesmo]. [Gargalhadas na bancada e na platéia]"

Réplica do Ciro Moura: "O assunto do idoso também merece um programa, muita atenção, à população envelhece e hoje ele [o idoso] é um abandonado. Se nós precisarmos de uma assistência ao idoso, o serviço público é uma coisa horrorosa, mas vejam vocês também, tudo aquilo que se demanda do Governo Municipal, do Estadual e a União, depende de uma figura que é o servidor público. Mais do que o funcionário público, que hoje está abandonado, há muito tempo sem plano de carreira, sem esperança e eu farei uma revolução. Prestem atenção funcionário público: no meu governo a sua vida vai mudar pra melhor!"

Tréplica do Paulo Maluf: "No meu governo funcionou excepcionalmente bem o PAS [Plano de Atendimento a Saúde]. O Ibope [Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística] deu 92% de aprovação e o Datafolha deu 79% de aprovação. Portanto o rico, que tem seu plano de saúde, esse está bem assistido. Agora, você se refere ao velho e pobre, que fica nas filas dos hospitais. As televisões mostram centenas ou quilômetros de filas nos hospitais, de pessoas que não têm recurso. Portanto, vou voltar a ter atendimento médico gratuito pro idoso, pro povo, vai voltar a ter o PAS. Além disso, pro idoso, nós vamos ter melhorias nas condições do transporte coletivo, dos terminais que eu construí - os maiores -, dos corredores de ônibus, e verdadeiramente esta cidade vai conhecer novamente, conforme o Datafolha já prenunciou, o melhor prefeito conforme pesquisa efetuada."

O quinto a perguntar é o candidato Renato Reichmann e sua escolhida para responder é à candidata Soninha Francine: "Vereadora Soninha Francine. São Paulo tem aproximadamente 1400 CEIs e 500 EMEFs, 45 mil professores e auxiliares, 3800 coordenadores e diretores de escola, também tem 90 mil crianças fora de creche, 15 mil crianças sem sala de aula, em algumas áreas a carência de vagas de creche chega a 65%. Em uma eventual gestão sua, o que a Sra. fará de imediato e o que fica como está?"

Soninha Francine responde: "O que fica como está é o que tiver funcionando bem agora, existem boas creches da administração direta, bons serviços conveniados, mas é obvio que a gente tem que ampliar muito essa oferta. Agora, a gente tem um problema sério em São Paulo que agrava todos os outros que é o da desigualdade regional. Muita gente mora muito longe do trabalho, em função de uma série de erros acumulados ao longo dos tempos. Você tem nas áreas de periferia, muita gente morando, pouca atividade econômica, poucos postos de trabalho, e essa falta brutal de vagas em creches, em pré-escolas, e nas escolas. Então a gente tem de atuar em várias coisas ao mesmo tempo, tende reduzir essa desigualdade regional, tem que permitir que casa e trabalho fiquem mais próximos um do outro. Ou seja, repovoar o centro da cidade, fomentar a atividade econômica na periferia - que gere postos de trabalho. Com isso só você já reduz essa demanda tão gritante por vagas em creches, porque no centro - na região central - você tem até equipamentos públicos com capacidade ociosa. Enquanto na periferia faltam muitos. Mais a gente tem que investir sim na criação de novas vagas, ou por iniciativa direta da administração pública ou por convênios. Tem gente que é contra os convênios pros serviços de creche, mas existem serviços admiráveis em parceria com entidade da sociedade civil da cidade toda. Eu acho que, desde que tenha o acompanhamento da prefeitura e controle social - quer dizer, da própria população -, a gente pode continuar nessa direção."

Réplica do Renato Reichmann: "Eu acho que não existe, nem à nível de governo e nem a nível pessoal, nada tão importante quanto a educação. É a única coisa que vai mudar esse ou qualquer outro país, ou qualquer outra cidade. Tem que haver escola, até porque um governante eleito tem que cumprir a lei, e o ECA [Estatuto da Criança e do Adolescente] deixa muito claro, ele não deixa espaço: tem que haver escolas e assistência para todas as crianças. Portanto, o governante que não cumprir tá fora da lei, tem que ser inclusive processado. Eu acho que pra qualquer pessoa não existe preocupação maior do que a educação dos seus filhos - e aqui somos todos, de alguma maneira pais ou mães. Num eventual governo meu, no espaço entre a eleição e o começo do governo - dentro de 30 dias depois do começo do governo -, ou todas as crianças tem escola e creche ou eu tenho um novo secretário de educação."

Tréplica da Soninha Francine: "Eu vou insistir no ponto da redução das distâncias, em sentido figurado e em sentido literal, porque se o pai, a mãe tiverem que sair de casa às 4 da manhã, pra pegar 3 horas de condução pra chegar no trabalho, vai deixar o filho - o quê? - às três e meia da manhã? E depois pegar... Então a gente tem que resolver isso. Em muitos lugares da cidade falta até espaço físico pra você oferecer adequadamente vagas em creche. Então a gente tem que criar esse espaço, requalificar os conjuntos habitacionais - que foram feitos para centenas de milhares de pessoas, sem prever a oferta de vagas em creche -, e quando for oferecer moradia agora já garantir essa previsão. Que um novo conjunto habitacional, já preveja que sejam oferecidas vagas em creche, em escolas e outros serviços públicos - aliás -, ali para os moradores."

A sexta a perguntar é à candidata Marta Suplicy e seu escolhido para responder é o candidato Renato Reichmann: "Eu tenho um enorme orgulho de ter criado os CEUs na cidade de São Paulo. Que levaram esse conceito, que é você integrar esporte, cultura, lazer, para todas as crianças que não tem acesso, assim também como a comunidade e a família podem ter acesso a tudo isso. Isso transforma a vida de uma periferia. Candidato, qual é a sua proposta, você manteria os CEUs?"

Renato Reichmann responde: "Manteria os CEUs, ampliaria os CEUs, aliás, o CEU curiosamente é um projeto que desde 1998 nós falamos. Na verdade era um projeto chamado "Lares de Agregação" e "Centro Sócio-esportivo Cultural", que foi baseado originalmente no modelo do "SERETE" do Tatuapé. Às vezes eu escuto falarem uma insanidade como profissionalizar criança, criança precisa brincar, criança precisa se divertir, que é a melhor maneira de aprender! Então é esporte, cultura, lazer, teatro, música... Agora, pra continuar no comentário [referindo-se ao seu questionamento anteriormente feito a Soninha Francine], se a creche tiver que abrir às 2h30, vai abrir às 2h30 da madrugada! Porque se ela não abrir às 2h30 da madrugada, o pai tem que sair às 3h do mesmo jeito. Vai ficar em casa sendo cuidado por uma criança de 10, 11 anos de idade. Então precisa, não tem alternativa. Sou a favor inclusive de atividade em período integral, na faixa de 0 a 10, na faixa do fundamental, um período grade curricular e um período de atividades extracurriculares. Verba existe, é questão de otimizar a utilização das verbas e se for preciso deslocasse de outro lugar. Porque se não vamos estar o resto da vida reagindo, a única maneira de assumir o comando das coisas, agir, é educar uma ou duas gerações inteiras."

Réplica da Marta Suplicy: "Eu concordo candidato, que nós temos que ampliar todas as áreas da educação. Na primeira gestão que nós fizermos, nós criamos os CEUs, ai nós pudemos dar muita condição pro aluno mais carente. Também criamos os uniformes, os kits escolares, o Vai-e-volta, que levou o "sujeito" da educação a poder tá dento de uma sala de aula na cidade toda, mas nos CEUs em especial. Agora nós temos que dar um passo à frente, nós temos que investir também muito na qualificação do professor. Hoje nós temos - todas as teorias tem mostrado - que permitir as escolas terem autonomia, fazerem as suas metas, a sua avaliação, e o professor poder ter um lugar onde ele possa se formar em relação ao que a escola fala que ele precisa se aprimorar. E com isso nós vamos poder dar um salto, não só com as crianças - que já demos um salto enorme -, mas também com a formação do professor."

Tréplica do Renato Reichmann: "Ministra, eu concordo integralmente com a senhora. A questão da formação do professor, num mundo onde o conhecimento dobra a cada mês, não existe nenhuma maneira de um professor - que cuida dos nossos filhos, tá basicamente formando os nossos filhos - não poder se atualizar. Isso ele só consegue tendo incentivo, inclusive financeiro, e tendo uma carga de trabalho humana. Não adianta dar 60 horas de aula e depois falar pra ele se treinar, 20 ou 25 horas o resto ele tem que parar e treinar. Exemplo, China, dobra a cada 5 anos. Isso foi um projeto de 20, 30 anos de educação, porque se dobra a cada 5 anos, precisa do dobro de gerentes, o dobro de técnicos, de médicos, o dobro de tudo. E isso não se forma em 5 anos, isso é um projeto que leva tempo, então tem que começar agora, já, amanhã."

O sétimo a perguntar é o candidato Paulo Maluf e seu escolhido para responder é o candidato Ivan Valente: "A revista "The Economist", que está aqui em minhas mãos, mostra que o juro real no mundo, o maior juro real está aqui no Brasil. E a dona de casa que está nos vendo, ela sabe que o arroz subiu, o feijão subiu, a carne subiu. Eu pergunto por tanto, o Partido do Trabalhadores [PT] que está no poder em Brasília é a "mãe dos banqueiros" e o "pai dos atravessadores", por quê? Comente isso!"

Ivan Valente responde: "Ô [Paulo] Maluf, primeiro que eu queria agradecer você ter escolhido um engenheiro para governar São Paulo, eu sou engenheiro, tá! [Gargalhadas na bancada e na platéia] Em segundo lugar, o problema político nosso... Você sabe que eu saí do PT [Partido dos Trabalhadores] porque foi implantada mesmo a política econômica e por outros motivos, porque o PT desandou! Ele ficou muito igual inclusive a outros partidos, inclusive o seu! Então que queria dizer o seguinte: em primeiro lugar, política econômica no Brasil é uma política que tem como hegemonia o capital financeiro. É uma política neoliberal. Agora, a única coisa que eu não entendo é o por que seu partido está na base do Governo Lula, que é o PP [Partido Progressista]. Porque rigorosamente vocês deveriam sair de lá, porque o juro mais alto do mundo realmente é o do Brasil, os bancos são os que mais lucram nesse processo todo, e que se nós quiséssemos resolver o problema do Brasil rigorosamente, nós tínhamos que mudar a política econômica, criar um mercado de massas. E governar São Paulo também tem importância, porque aqui nós íamos mexer no problema da Divida Pública - da lei de responsabilidade fiscal -, que engessa a nação brasileira, e determina como prioridade o pagamento de juros."

Réplica do Paulo Maluf: "Você que é Deputado Federal como eu sabe, que o fato de você estar na base do governo não quer dizer que você concorde em tudo o que o governo faz. E você que está em Brasília tanto quanto eu sabe, através do meu livro - Atuação Parlamentar -, os discursos que eu tenho feito e que inclusive pra estatizar o Banco Central [do Brasil]. Porque o Banco Central está na mão dos banqueiros, eles que ditam qual é o juro. E quando o Banco Central diz que tem que aumentar o juro porque tem inflação, eu pergunto porque que no Japão o juro é meio por cento ao ano e não tem inflação? Por que que na França, Alemanha e outros paises como Bélgica e Holanda, o juro é 4%, 3% ao ano e não 12%, e não tem inflação. Então na verdade o que acontece é o seguinte: a política dos banqueiros e a política de proteger os atravessadores, no meu entender, é uma incoerência da política econômica do PT."

Tréplica do Ivan Valente: "Essa política neoliberal, que colocou o capital financeiro como o principal interlocutor da sociedade brasileira, onde os bancos - os maiores bancos lucram até R$ 8 bilhões por ano -, é uma política que foi feita pelo PSDB, pelo PT, pelo seu partido [PP]. Primeiro quero dizer o seguinte, se lembra que a Divida Pública de São Paulo explodiu - inclusive no Governo Pitta, que o senhor homologo -, e todo mundo tá pagando a Divida Pública. Só esse ano aqui em São Paulo foi R$ 2,2 bilhões, que daria pra fazer 10 quilômetros de metrô, daria pra fazer 100 quilômetros de corredores exclusivos, 300 mil crianças em creche, mas foi pra pagar juros da Divida Pública. Isso é um consenso de todos os outros setores, o PSOL defende outra política."

O oitavo a perguntar é o candidato Gilberto Kassab e seu escolhido para responder é o candidato Ciro Moura: "Ciro [Moura], um dos programas mais bem sucedidos na cidade de São Paulo, nos últimos tempos, em relação ao combate a poluição e no caso a poluição visual, foi o Programa Cidade Limpa. Eliminou a poluição visual, e mais importante que eliminar a poluição visual, recuperou a confiança da cidade de São Paulo - do cidadão paulistano - em relação aos grandes desafios que a cidade tem. A sociedade civil percebeu que quando atua junto com o governo, ela pode vencer e vencemos com o Cidade Limpa. Qual é a sua visão em relação ao programa Cidade Limpa?"

Ciro Moura responde: "Eu tenho dito a respeito do Programa Cidade Limpa, que a voz do povo é a voz de deus. O povo de São Paulo aprovou, está aprovado! Acho, como já disse anteriormente, extremamente importante você tratar da poluição visual, da poluição do ar, e vou insistir aqui porque não emocionei ninguém, mas sei que emociono você que está ai em casa, que mora no fundão dessa cidade, com os córregos sujos, com suas crianças convivendo com isso, pisando em coisas que não deve pisar, e ninguém aqui nesta mesa falou a respeito, ninguém apresentou projeto. Só se fala em números, quando na verdade eu entendo o seguinte, o que interessa ao povo de São Paulo é que ele seja atendido em sua necessidade. Acho sim, já está aprovado, continue, eu acho sim que nós temos que saber um pouco sobre aquilo que terá de apoio a aquele pobre comerciante, aquele pobre estabelecimento, que tirou sua placa e não pode colocar outra porque ela custa. Então eu gostaria de saber se o seu projeto contemplou alguma coisa para esse povo mais necessitado e com menor poder aquisitivo."

Réplica do Gilberto Kassab: "Eles têm incentivos em relação ao IPTU [Imposto Predial Territorial Urbano] e eu queria dizer a todos vocês que, mais do que o combate à poluição visual - o [Programa] Cidade Limpa - é o combate à poluição do ar, a poluição da água, a poluição sonora, e nós ao longo da gestão contribuímos de uma maneira significativa pra melhorar a qualidade do ar, sim. Plantamos quase 600 mil árvores, diferentemente da administração anterior que plantou 80 mil árvores - plantou bastante coqueiro e [...] de jardim, sim. Fizemos uma parceria com o Governo do Estado, uma parceria que iniciou a despoluição de córregos - 300 córregos poluídos na cidade de São Paulo, estamos finalizando os primeiros 40 córregos e iniciando já outros 60 seguintes. Iniciamos também a construção de moradias para que as famílias que moram em condições inadequadas nos mananciais possam ser transferidas, e com isso melhorar a qualidade do abastecimento de água na cidade de São Paulo. Enfim, o Cidade Limpa é mais do que o combate à poluição visual, o Cidade Limpa é o resgate da confiança do paulistano no futuro de São Paulo."

Tréplica do Ciro Moura: "Eu quero insistir aqui, que aqui se fala muito em números, portanto em quantidade. Seria melhor que nós falássemos em qualidade, porque eu sou um "antigo" e tenho um sonho. Eu sou do tempo que São Paulo tinha uma educação pública de primeira qualidade, eu estudei em São Paulo, em um colégio chamado Colégio Estadual Presidente Roosevelt, quem lá estudou e quem viveu esse tempo sabe do que eu estou falando. Isso me deu a base para a minha vida. Criei minha família. E estou aqui porque acho que tenho que devolver a essa cidade o que ela já me deu. E eu gostaria que esse debate focalizasse um pouco mais na qualidade. Uma escola, por exemplo, cuja o professor ensina, o aluno aprende, os funcionários são respeitados, e dando esse arroz com feijão, que eu chamo da educação ao paulistano, deixa que o resto ele fará."

Encerrado o segundo bloco, às 22h47. Houve um intervalo comercial de cerca de 5 minutos.


CONTINUE... Terceiro bloco do debate na íntegra



Leia também:
Debate da TV Band
Debate da TV Band - Opinião preliminar
Primeiro bloco na íntegra
Segundo bloco na íntegra
Terceiro bloco na íntegra
Quarto bloco na íntegra

Quinto bloco na íntegra




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