sábado, 28 de junho de 2008

É notável a "Q"ueda no Ibope

Acompanho, e sempre acompanhei, noticias sobre televisão, incluindo audiência e Ibope. Ultimamente não se fala em outra coisa a não ser sobre a queda no Ibope da Tv Globo. Tida, até pouco tempo, como invicta e intocável.

Não sei de nenhum estudo concreto que aponte ou não para isso. Através da divulgação de dados eventuais e muita especulação, conseguimos perceber algumas coisas sobre o assunto.

Uma das atenuantes mais usadas é que o número de pessoas que têm internet em casa cresceu e que o número de pessoas que assinam tv paga também cresceu.

Não acho que essas desculpas sejam relevantes. Acredito que realmente está havendo uma redistribuição do público pelos canais, que o brasileiro de uma maneira geral está cansado de assistir essa televisão de péssima qualidade e que está havendo sim, uma grande queda na audiência da Globo. Então fui atrás de dados que possam endossar a minha opinião.

Essa é uma linha de raciocínio pessoal, onde procurei dados relevantes de diversos locais e apresentarei alguns, e algumas opiniões. Podendo não refletir com absoluta certeza o retrato atual ou que seja uma pesquisa aprofundada. As informações apresentadas não são inferiores a 2000 e nem superiores a 2010.


De 2000 a 2008, o número de emissoras, ou seja, de abrangência nacional e não retransmissoras ou afiliadas, continua praticamente estável. Nessa área dois pontos podem ser observados: o surgimento da Rede TV em 1999, anterior ao período em relevância; e o "surgimento" da Record News no final de 2007, que na verdade entrou no lugar da antiga Rede Mulher. Portanto, praticamente não houve alteração relevante na quantidade de emissoras.


Os três gráficos a seguir, mostram que à população que realmente assiste televisão aumentou e está aumentando, o efetivo de 10 a 80 anos de idade. Obviamente que o período de 2005 a 2010 é uma projeção, que provavelmente está sendo superada.
Podemos verificar também que até a estimativa de vida aumentou.

Durante o período, população vem crescendo e vivendo cada vez por mais tempo. A condição socioeconômica tem melhorado e o salário mínimo aumentado. O acesso à energia elétrica chegando a sua totalidade e, até aumento expressivo na compra de televisores. Até mesmo às emissoras estão aumentando sua área de cobertura, com isso conseguindo novos telespectadores.

Sendo assim, até o presente momento, o que indica é que a quantidade de telespectadores aumentou.


Os dados mostram que nesses últimos três anos, o setor de televisão por assinatura teve um crescimento normal. Não houve um aumento relevante na aquisição de tv por assinatura, que pudesse causar uma queda na tv aberta.
Pode-se observar que o maior crescimento foi na faixa de maior poder aquisitivo, e, é fato que essa faixa é composta por um número muito reduzido de pessoas.


Os dados do IBOPE//NetRatings mostram que houve um aumento significativo na quantidade de domicílios que possuem computador e internet.
Entretanto, o mesmo gráfico mostra que a média de uso é de 22 horas em um mês inteiro. Ou seja, de trinta dias de um mês o individuo não chega a ficar um dia inteiro sequer na internet.

É absolutamente improvável que as mais de 20 milhões de pessoas resolvam usar à internet justamente no horário da novela das 21h, por exemplo. E mesmo que isso acontecesse, apenas demonstraria o desinteresse do telespectador, provavelmente por baixa qualidade do que está sendo apresentado. Além de ratificar uma queda na audiência da Globo.

No Brasil, onde as mulheres são maioria, também são elas - as mulheres - e pessoas de mais idade que acompanham telenovelas (por exemplo). São mais homens e jovens que ficam na internet.

Mesmo porque, apesar de grande crescimento, numa visão à nível de Brasil, apenas 41,9% dos domicílios possuem computador e apenas 18% têm acesso à internet.


Outro ponto que pode ser descartado é a questão da Tv Digital aberta. Os últimos dados mostram que, na prática, ela ainda não pegou. Sendo assim, não refletindo o menor impacto na tv aberta tradicional, a qual incide a medição do Ibope.


A mudança é mais perceptível olhando o Ibope das novelas. Primeiro porque elas sempre foram de agrado de uma grande maioria, talvez seja mais porque é exibida no horário chamado "nobre". Quando se compreende que a maioria das pessoas já saiu do trabalho e já chegou em casa.

Alguns exemplos:
2004 - "Senhora do Destino" marcava 55 pontos.
2005 - "América" marcava 53 pontos.
2006 - "Belíssima" marcava 51.
2007 - "Paraíso Tropical" registrava 45 pontos.
2007 - "Duas Caras" mantinha 40 pontos.
2008 - "A Favorita" mantém 34 pontos e olhe lá.

Essas são médias semanais, ou seja, "Senhora do Destino" chegava à marcar mais de 55 pontos e às vezes também um pouco menos.
Como ocorre agora com "A Favorita" que tem média de apenas 34 pontos, mas tem dias que só alcança 30 e teve até um único dia que chegou a 40.

Não só as novelas tiveram redução de Ibope na Globo. O "Big Brother Brasil" a cada ano tem seu Ibope reduzido. Nos primeiros anos, marcava 50 pontos, ultimamente era sacrifício chegar aos 38 pontos.

O "Mais Você", de Ana Maria Braga, que já foi sucesso nas manhãs, hoje amarga segundo lugar.

"Fantástico" marcava 40 pontos de média, hoje não passa de 24... 25.
"Jornal Nacional" que sempre teve média de 40 pontos, hoje marca apenas 30.
"Tela quente" normalmente registrava 47, hoje apenas 24.
"Casseta & Planeta" tinha 42 de média, hoje menos de 30.

Valem lembrar que, se a população cresceu, um ponto no Ibope de antigamente, hoje vale mais. Claro que sim! Durante esse período, o Ibope reajustou os pontos a quantidade compatível. Ou seja, mais ou menos, um ponto antes representava 40 mil pessoas, hoje corresponde a 50 mil. Porém não estamos falando na perca de 1 ponto, e sim de pelo menos 10 pontos.

Em outros canais, por exemplo:

Uma explicação favorável à Globo que eu consigo ver, é a queda de audiência nos programas infantis. Observando que essa faixa de idade teve mesmo uma redução.

Portanto, não consigo outra visão ou interpretação do que a real e absoluta queda na audiência da Tv Globo. E o aumento das outras emissoras.




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